As idéias são reais, objetivas e universais.Verdadeiramente o único inteligível. Acessíveis, pois, pela transcendência do pensamento.

domingo, 11 de maio de 2008

Rosemary - Contos Singelos




Durante muito tempo levantava-me cedo; levava algumas coisas que eram penduradas a contra-gosto em meus ombros ou braços e lá era deixado.


Ah, como lá era frio, como era inóspito! Milhares de vezes embacei os vidros verdes, com meu choro e meu hálito quente, as únicas coisas realmente quentes daquele lugar.


O chão era cinza e frio, o teto era alto e vertiginoso, circulavam por ali gigantes mau encarados, ah, como era terrível! Era forçoso fugir dali, não aguentara mais chorar por mamãe, era preciso um plano de fuga, era preciso algo que sensacional.


Mas como? Era preciso buscar esse algo.


Não pense caro leitor, que eu era dotado dos pensamentos cuja digressão a pouco acompanhastes; eu era sim inteligente, aqui contava com seis anos de idade e sabia ler, mas essa resolução deu-se para bem dizer em meus raciocínios de maneira um tanto diferente:


"Mamãe! Mamãe! Buáaa." - E mamãe só vinha após 5 ou mais horas nessa penosa situação para buscar-me.


"Mamãe! Mamãe! Buáaa." - e repetia-se a experiência dramática e pesarosa.


"Hump! Eu vou embora daqui!" - Ora mas porquê? Me asseverava uma estranha voz que posteriormente disseram-me que se chama consciência. - "Porque aqui é ruim!"


Ah, que maravilhosa resposta! Até então era tudo que eu precisava como resposta! E como essa me parecia genial! Ela realmente justificaria tudo.


Semelhante foi a explicação que dei a mim mesmo na época, para o porquê eu deveria aprender, e esforçar-me tanto para saber ler:


"Talvez eu veja aquela placa que tem um desenho de um cachorro bravo, naquela rua, igual aquele do desenho, em outro lugar, e não sabendo o que está escrito encoste lá e ele me morda."


"Bom, tudo bem que eu sei porque meu pai me contou que esta escrito CUIDADO CÃO BRAVO, mas e se ele não tivesse me contado? Como eu leria isso?"


E também, eu morria de curiosidade de saber o que os vilões das histórinhas tanto riam, quando via as figuras dos gibizinhos, como por exemplo o Bafo de Onça e o Rato Mickey, eu te confesso leitor!


"Eu não volto pra lá Mãe!Ah não mãe, por favor por favor!"


"É preciso filhinho."


Pois lá tudo era terrível, obrigavam-nos a cantar músicas de um coelhinho bobo, e em fila ainda por cima.


Havia também um tal de hino nacional, chatíssimo, e que todos erravam a letra; eu a sabia mas não por gosto, pela insistência de obrigar-nos a ouvi-lo e repêti-lo enfadonhamente.


E o pior de tudo, nos obrigavam a com nossas canequinhas escovar sempre os dentes; e lá eu nem podia usar minha escova elétrica que meu pai me deu!Ah como eu odiava aqueles conguinhas vermelhos!


Era preciso rezar, antes que pudessemos beber o chocolate quente ou o Quick de morango, esse até que era gostoso, mas eu só sabia rezar para meu anjo da guarda, que nem mamãe me ensinou:


Pedia a ele para me tirar dali, mas eu o abandonei também por que conclui, que se fora mamãe que me ensinara a reza, certamente o malandro estaria com mamãe!


Ah, leitor... eu estava só.


Mais dias retornei aos vidros verdes, a embaçá-los...


Havia ali um menino que também chorava sempre... Seu nome era Horácio.


"Porque você sempre chora?" - perguntei-lhe enxungando os olhos vermelhos, entre uma pausa por fôlego e outra por cansaço.


"Porque quero minha mãeee!" - respondeu-me choroso.


"E você?"- indagou-me austero e pesaroso enquanto lhe escorriam as lágrimas.


"Eu também..." respondi-lhe desolado.


Um dia veio-me a idéia redentora.


Enxuguei as lágrimas e veio-me uma fúria! Ali vieram-me aquelas justificativas maravilhosas e disse a mim mesmo:


"Aqui é ruim!"


Disse mais, disse:


"Horácio! Vamos fugir daqui!"


"Nós podemos?"


"É claro que não! Temos que fugir escondidos!"


"Mas, porque?"


Confesso que hesitei grandemente quando Horácio impactou-me com essa terrível dúvida, mas após refletir mais um pouco, pensei em compartilhar com ele aquele meu poderoso e genial argumento:


"Porque aqui é ruim!"


Então ele concordou prontamente!


"Ótimo! Então escuta o que faremos, na hora do recreio, das brincadeiras, ao invés de brincar como esses bobões, nós procuraremos uma maneira de fugir daqui!"


"É mesmo, olhe para esses bobões! Quem os vê, pensa que estamos em algum lugar divertido!"


"Eu tenho pena deles!"


"Eu também!"


E então rondavamos com olhares inquiridores todos os muros, todas as brechas; observavamos que os portões eram muito bem guardados pela tia Vani, que só ia até eles fora de horário para receber o leite e outras coisas do seu Manoel, e ela guardava muito bem as chaves que ficavam presas a ela.


Resolvemos então utilizar a gangorra. Não era uma brincadeira, era algo muito sério!


A gangorra ficava em um ponto alto do parque, se nos esforçassemos em abaixar com muita força, podiamos levantar o outro para que este enxergasse a rua!


"Vai Horácio eu estou quase vendo a rua!"


"Cuidado quando estivermos descendo, para não deixar seu pé embaixo bobalhão!"


"Horácio, isso não importa, é preciso ver lá fora!"


"Você vai cair desse jeito! Se você se machucar a tia vai brigar comigo!"


"Cuidado meninos! Devagar."


Então pela velocidade e força da gangorra ao bater no chão, fez Horácio escorregar, e eu ser arremessado longe na grama pelo impacto dela no chão.


"Eu te avisei! Você se machucou?"


"Não!"- disse com raiva. "Eu não vou chorar!"


"Tanto melhor, senão a tia vai vir aqui!"


"Ah Horácio! Somos uns fracassados."


"Nem no macaquinho nós conseguimos atravessar, como você espera que a gente fuja daqui?" - concordou ele tristemente.


De volta aos vidros verdes...


E foi mesmo dali que vimos um menino, sujo e malvado caminhando em cima do muro! Um menino da rua!


Ora mas que audácia! Que graça! Logo a tia o escorraçou dos muros e o menino sujo se foi!


"Você viu Horácio, você viu?"


Horácio nem me deu trela.


Mas um dia andando sozinho pelo arredor do grande muro, desejando ser como o menino sujo que conseguia andar em cima do muro, tropecei na minha escapada de mestre.


Escondida, entre a grama alta, quase que um pouco de mato; uma pedra, como de uma guia, pesada, que tampava uma valeta ao pé do muro: uma valeta com o diâmetro de um menino!


"Horácio, Horácio, Horácio!"


"Onde você estava infeliz? Eu te procurei o parque inteiro!"


Horácio, estava sentado diante do macaquinho, vendo os meninos maiores e mais habilidosos se pendurar nele e atravessá-lo com velocidade e graça, em uma bela exibição de força e coragem.


"Venha." - comovi-me. "Eu encontrei a nossa fuga daqui, preciso da sua ajuda!"


A pedra era mesmo pesada para ser removida por dois garotos, mas é incrível como o desejo de sair dali deu-nos força; bem a custo de muita sujeira no uniforme é verdade! Até foi preciso uma mentirinha para a tia sobre a sujeira na roupa:


"Onde vocês estavam? O que andaram aprontando para se sujarem assim?" - inquiriu-nos em tom de bronca.


"Estavamos brincando no trenzinho professora!" - pensou rápido Horácio, filho de Gepeto.


O trenzinho era uma sucessão de tuneizinhos, na forma externa de um trem, por onde as crianças brincavam, atravessando, e no mais das vezes era também envolto de areia e terra, cujo alguns cachorrinhos que entravam acidentalmente no parque, adoravam batizar com xixi, e suas fezes que até secavam lá dentro...


"Urghhh, então vocês precisam certamente ir se lavar!" - levava pelas golas das camisas os visitantes do brinquedo mais desprezado do parque.


Mas então, um belo dia disfarçado pelas altas ramagens, já sem a pesada pedra estava ali diante de nós:


A Liberdade!


"Horácio o que você vê aí? Me fala!"


"Calma, eu estou vendo a rua!"


"Você vê bem daí?"


"Muito bem!"


"Mas então sai pra rua. Vamos!"


"Porque eu?"


"Porque você já esta aí oras! Depois você entra de novo, é só pra gente ver se passamos pelo buraco!"


"Ah, assim tudo bem! Então eu posso voltar né?"


"Pode, é claro!"


"Você num vai embora e me deixar aqui não né? Digo, se a tia vir."


"É claro que não Horácio, que tipo de amigo acha que eu sou? Vai logo!"


Então Horácio saiu; ficou na rua por uns VINTE segundos!


"Me conta como é! Como é Horácio? Como é?Ora então volta logo e deixa eu sair também!"


Horácio entrou, eu o ajudava puxando suas mãos.


Sequer olhei em seu rosto para ver sua perplexidade e atirei-me também.


Lá fora era tudo muito estranho. Carros, pessoas andando, tudo era imenso, o sol brilhava mais, o vento era mais gostoso, havia um gosto de proibido que não podia ser saboreado muito pois enlouquecia... Voltei!


Só então pude reparar o rosto de Horácio, o medo e a tristeza o tomavam, e eu me via nele naquele medo e tristeza:


Não era o mesmo estar na rua sem nossas mães de mãos dadas conosco! Naquele momento vi, que nem Horácio nem eu, seríamos capazes de fugir...


Sentei-me ao lado dele na grama olhei as árvores e suas altas copas; não éramos como o livre menino sujo, que bailava graciosamente como um gato! Sim como um lindo gato se esgueirando e equilibrando nos altos e perigososos muros, e que fugia em um pulo de gargalhada da furiosa tia qual um saci-pererê, airoso e ligeiro!


Não, Horácio e eu, não...


Nada dissemos um ao outro, e a partir dali acabou o plano de fuga...


Doravante, apenas melancolia dos fracassados, dos que não andavam em cima do muro, dos que não venciam o macaquinho, Horácio para um lado, e eu para o outro.


O ar era pesado, cinza e resignado...


Ah, leitor, como a vontade dos vidros verdes abateu-me violentamente! Mas nós não podiamos voltar lá.


Não Horácio e eu!


No entanto, de minha cadeirinha via muitos meninos embaçar os vidros verdes, mas sequer fui até eles perguntar seus nomes...


Assim se passaram os dias e fui começando a prestar atençào nas atividades da escolinha, qual um prisioneiro que faz marcas dos dias, assim era eu o perdedor, que se punia se esmerando nas atividades da professora, qual um papagaio que repete as coisas, qual um relógio que desperta quando lhe dão corda...


Afundei-me em desenhos; mas esses nao eram de mamãe ou de casas e soizinhos como o dos chorões dos vidros verdes! Não senhor!


Os meus eram de dinossauros, predadores violentos e terríveis sempre se estraçalhando uns aos outros!


Belos dinossauros! Cujos nomes eu sabia e pareciam palavrões para os meninos bobões que não eram capazes de repetir, mas eram tomados de fascínio e admiração por mim!


"Ele desenha monstros!"


"Ele sabe escrever os nomes deles!"


"Uau! Que desenho legal!"


Tricerátops, tiranossaurus rex, branquiossaurus, pterodáctilo! Ptero u quê?


"Faz um pra mim!"


"Claro, qual você quer?"


Assim formava-se a fila e o alvoroço na cadeirinha antes solitária do coleguinha...


Despertando a ira da professora.


"Gente, os desenhinhos são para vocês fazerem! Não vale pedir para ele fazer o de vocês."


"Ah, professora, ele desenha mais bonito!"


"Os desenhos dele são legais!"


"Mas o de vocês também é!"


Mas parecia que os outros meninos não acreditavam na professora, só as meninas; mas o que era uma menina afinal? Ah, umas bobas que não sabiam nada de dinossauros!


Uma vez veio o Horácio pedir um dinossauro para mim:


"Olha, eu tentei desenhar um... mas não ficou tão bonito como o seu, acho que não consigo..."


"Mas é claro que conseguiu Horácio, está muito bom, muito lindo e forte e bravo!"


Realmente, eu enxergava ali o esboço de uma obra magnífica! Certamente o Horácio desenhava melhor que eu, bastava alguns traços e... pronto! Uma obra prima!


Fiquei feliz e empolgado e tratei logo de ajudá-lo a terminar o melhor dinossauro já desenhado!


"Vamos Horácio, basta que você faça os olhos e a boca e pronto!"


Mas então eu vi e senti o gosto da desilusão; Horácio desenhara uma boca e dois olhos que transformaram o temível Tiranossaurus Rex em um Solzinho de menina!


É leitor, eu estava só... Apenas eu vira o perfil e o movimento magnífico da besta a ser finalizada no papel.


Ao finalizar o traço, e mediocrizar o desenho, Horácio só mostrou-me que apenas eu vira o que vi.


O Melhor dinossauro já desenhado, só existia na minha imaginação...


Então a professora mudou as atividades: Pininho!


Então eu compunha blocos e blocos com milhares de pinos, e a partir deles; Dragões com asas, naves espaciais enormes e adivinhem: Dinossauros!


Novamente as filas que irritavam a professora.


Mudança de atividade: Massinha!


Então começava por na forja criar as minhas peças e logo depois: Dinossauros, homens, heróis com espadas, seres mitólogicos! Sim, acreditem: seres mitológicos!


Novamente filas...


Um dia eu empunhara um enorme e chamativo ser mitológioco de massinha. Um minotauro!


Eu nem dava atenção para as histórinhas da professora, que sentada na fonte tinha uma menina no colo e contava uma historinha que não me lembro por... não dar a mínima...


"O que é isso é um boi?" - perguntou a menininha, riu-se a professora.


"Não é um boi, é um minotauro!" - disse sem olhar sequer para a boba menina, enquanto travava as maiores batalhas épicas com meu bonequinho.


"Como os meninos são bobos!" - disse a menina, arrancando gargalhadas da professora.


"E você já chega de minotauro, venha aqui ouvir a historinha" - disse a professora desanimando-me e aos coleguinhas que esperavam atentos o desfecho da batalha épica.


Então olhei para a menina, e me veio a lembrança de sua voz petulante, que já imitava com esgares:


"Humpt! Os meninos são bobos..."


"E as meninas são..."


Então olhei para ela...


Ah, que diria aqui? Eu tinha seis anos de idade.


Foi preciso pensar em um novo argumento brilhante, para responder o que as meninas eram!


Não poderia repetir em troco que as meninas eram bobas, não senhor, não aquela! E por algum motivo ela era a representante de todas as meninas...


Então veio em meu socorro outro daqueles argumentos brilhantes e geniais para minha idade! Em resposta ao que as meninas eram.


"As meninas são... as meninas são... as meninas são b-bonitas!"


Aquela era demais! Chamava-se, Rosemary.


Seu rosto tinha vermelho de sangue, ela era branquinha.


Seu cabelo era vermelhinho, liso, brilhavam, seus olhos eram brilhantes, não eram baços e chorões como os do Horácio!


Ela era cheirosa, e sempre estava limpa!


Um dia eu a segui até atrás das árvores e a olhava sorrindo como um bobo, alternando entre ela e as folhas secas.


Ali mais do que nunca, com minha expressão eu fiz jus a definição dela, de que os meninos eram bobos.


Um dia ela pegou minha mão, encostou a boca na minha e saiu correndo para debaixo de uma árvore.


Eu a segui enfeitiçado, ela brincava com alguma coisa que não me lembro debaixo da árvore, sentada de costas para mim.


Caminhei e parei em frente a ela:


"Senta!" Quer brincar?"


Sentei-me.


"O que você tem?"


"Estou com medo." - disse.


"Ah, mas a gente sempre tem medo de alguma coisa!"


Pegou em minhas mãos.


"Fecha os olhos!"


Ah leitor, como rezei para meu anjo da guarda para que ela fizesse de novo!


"Me diz uma coisa que você tem medo."


"Uma coisa que eu tenho medo?"


"É, mas fecha os olhos bobo!"


Então revelei para ela meu maior pavor!


"Tenho medo da Cuca..."


Ela parou alguns segundos segurando minhas mãos enquanto eu estava de olhos fechados, vulnerável, após ter revelado meu maior medo, sentindo o vento nos meus cabelos, rezando para meu anjo da guarda...


Súbito ela gritou:


"Olha a Cuca ali!"


E quando apavorado abri os olhos e virei-me, voltei-me para ela apenas para vê-la correndo ao longe na grama do parque...


Definitivamente, era algo com esse anjo da guarda!


Depois desse dia emburrado na fonte, veio até mim a professora, carinhosa propor-me uma coisa:


"Sabe querido, estive pensando, vamos organizar uma dança. Eu adoraria que você participasse!" - disse-me alisando os cabelos.


Para isso sequer tive que refletir: Não, é claro! Seria minha resposta, porque dançar era idiota!


"Não quero!"


"Mas você deveria querido, todos irão ter que dançar!"


"Ah professora, eu não, eu não quero!"


"Ora mas eu pensei em colocar você justamente como par da Rosemary!"


De repente, dançar era a ativdade mais sublime da humanidade! Oh como eu amava todas as danças!


"Eu quero professora, eu vou dançar!"


"Ora, mas porque mudou de idéia tão rápido? Posso deixar você como o par da Rosemary?"


"Pode!"


É desnecessário dizer, que quando ela disse "está bem" quase que saltei no colo dela!


Mas ali começaram minhas dúvidas e problemas.


A Rosemary era a melhor dançarina! E eu não sabia nada sobre danças estúpidas!


Ah, mas era preciso dar um jeito nisso!


De repente minha mãe via em mim um gosto repentino de ir a escola.


Aprontava-me primeiro, levantava cedo, pegava minhas coisas com todo gosto do mundo!


Ah como foram felizes aqueles dias de ensaio, em que eu a tinha sempre em meus braços!


Como me empenhei nos ensaios! Em pouco tempo era o melhor dançarino da turma! Assim como Rosemary.


E como era ela linda! Leve dançando até via graça nos vestidos que antes eram tão idiotas, mas nela; nela era lindo...


Chegou enfim a véspera do esperado dia! Mas então veio o golpe mortal do destino.


Surpreendera-me em uma felicidade sem tamanhos brincando com Rosemary, a professora, e chamou-me de canto.


"O que é, professora?" - disse em meio a puros sorrisos de criança.


"Será preciso que eu mude seu par... Não será mais a Rosemary."


"O que?!!! De jeito nenhum! Não pode ser professora! Ah não professora!"


Um demônio se apossou de mim em fúria, e tive vontade de chorar; se não chorei...


"Não fique assim! Assim você parte meu coração! Desesperava-se. É preciso! Senta no colo da tia, eu vou explicar..."


"É que o Horácio, tadinho, ele quebrou o braço e ele fazia par com a Fernanda, loirinha, mas infelizmente eles não aprenderam os passinhos! Eles não sabem dançar como você e a Rosemary! Então é preciso que você faça par com a Fernandinha, e a Rosemary com o Horácio, assim vocês que sabem dançar poderão guiar eles que não.Você vai dizer pra tia que não vai ajudar? Não quer ajudar o Horácio e a Fernandinha? Porque querido?" - perguntou-me em tom de mãe.


"Tá bom professora". respondi em tom choroso e resignado.


"Ah, assim está melhor. Dá um beijo na tia, você é lindo!"


Então daí leitor, tudo desmoronou... Não fui ver Rosemary, nem Horácio...


No dia da dancinha eu era só tristeza, Rosemary parecia ter problemas em guiar Horácio que se atrapalhava, e parecia muito aborrecida.


Fernandinha falava, mas eu não podia ouvir, ela era para mim como o vento; apenas rodava e passava por mim sem que eu visse...


Horácio, até mesmo nos braços da linda Rosemary, estava triste...


"Ah Horácio, somos mesmo um fracasso?"


"Oh Rosemary, estávamos certos:"


"Os meninos são tão bobos, e as meninas tão bonitas..."